Nossa História

DSC01058-001 O PRECE nasceu como uma iniciativa educacional não formal, em Cipó, localidade rural de Pentecoste, sertão cearense. Em 1994, 7 estudantes ocuparam uma casa de fazer farinha, sem uso, para viverem e estudarem cooperativa e solidariamente. Francisco Antônio (Toinho), Francisco Gonçalves (Chicão), Eudimar (DU), Carlos Roberto (Beto), Raquel, Noberto e Orismar aceitaram a proposta do Professor Manoel Andrade para estudarem em grupo. Na região, poucas escolas ofereciam o ensino fundamental completo, quem desejava concluir a formação básica precisava cursar o ensino supletivo na sede do município. O sonho de ingressar numa universidade pública parecia distante.

Manoel Andrade, filho de agricultores, saiu cedo de Cipó para estudar na capital. Aluno de escola pública, encontrou em um grupo de estudo o apoio que precisava para ingressar no curso de química da Universidade Federal do Ceará (UFC). Como professor da UFC, tornou-se conhecido na região onde nascera. Nos campos de várzea, encontrou jovens que ansiavam por continuar a estudar, compartilhou a sua experiência e sugeriu a criação de um grupo estudo. Aceita a proposta, o grupo se reunia, inicialmente, à noite, à luz de um lampião. Não tardou para o estudo ser em regime integral e a casa de farinha transformar-se em moradia. Escolheram estudar e viver em comunidade. A I Igreja Presbiteriana Independente – Congregação Cipó era local de sustentação espiritual e, com as famílias da localidade, colaborou para a permanência do grupo na casa de farinha. Em 1996, veio o primeiro resultado, Francisco Antônio foi aprovado em primeiro lugar para o curso de pedagogia da UFC.

A aprovação de Toinho motivou o grupo e atraiu novos estudantes da região. Não existia metodologia sistematizada, cada estudante partilhava o que sabia a partir das própria experiência, progressivamente, novas aprovações ocorreram. Ao entrar na universidade, o precista retornava às comunidades para colaborar com os colegas. O retorno, a gratidão, o compromisso individual e a cooperação constituíram essa prática educacional não formal. O grupo ampliou-se, mas não existia um nome à coletividade que formaram. Em 1998, a antiga Casa de Farinha, agora nomeada informalmente como Casa do Estudante, abrigou a Assembleia de Constituição do Projeto Educacional Coração de Estudante. Surgia o nome PRECE com a sua primeira significação.

Em 2002, mais de 40 estudantes da sede do município foram para zona rural, em busca do PRECE. No ano seguinte, criaram um novo núcleo, a Escola Popular Cooperativa (EPC) de Pentecoste, no centro da cidade. Logo depois, o grupo desenvolveu o projeto Incubadoras de Células, que originou a criação de EPCs em outras comunidades rurais de Pentecoste e nos municípios Umirim, Apuiarés e Paramoti.

Com o ingresso de estudantes precistas na UFC, firmou-se uma parceria do PRECE com a universidade. Para apoiar o retorno dos estudantes nos fins de semana às suas comunidades de origem, a Pró-Reitoria de Extensão criou o Programa de Educação em Células Cooperativas, uma nova significação à sigla. O grupo aproximou-se de espaços institucionalizados, logo, se fez necessário também institucionalizar-se, criaram a organização não governamental Instituto Coração de Estudante (ICORES). Para a atuação nos espaços de educação formal tornou-se preciso sistematizar e nomear o método de estudo utilizado. A prática de Cipó encontrou proximidade com a Aprendizagem Cooperativa, teoria trabalhada por David e Roger Johnson. O encontro entre a metodologia dos Johnson e a vivência no sertão cearense originou a Aprendizagem Cooperativa construída no Ceará. Inspirada na experiência do grupo de Cipó, em 2009, a UFC criou o Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis. 7 anos depois, em 2016, a universidade, em parceria com a Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC/CE), criou o Programa de Estímulo à Cooperação na Escola Pública.